Quando, no mundo, ainda era
vida
quis falar do amor, mas me
faltaram as palavras.
Existia, em mim, a
incompreensão...
E, mesmo que houvesse fala,
havia incapacidade
de expressar o que sentia...
Em todo o meu ser pulsavam
emoções,
um misto de amor, de vazio e
resignação.
Contudo, estava à beira dum
abismo
exposto às perversas sanções
por não queixar-me de
nada...
Deuses ensandecidos
puseram-me à prova,
lançaram sua fúria sobre
mim,
abalaram a minha alma
e transformaram a minha vida...
Em minhas cercanias tudo
ensurdeceu
(Ninguém pôde ouvir meu
grito abafadiço;
Foi como um vulcão às
avessas,
jorrando de fora pra
dentro...)
E esses magmas me abriram
fissuras,
me fundaram furnas.
(Castigo que me martirizou
e que me tornou numa frágil
rocha...)
E hoje, ainda que falem do
amor,
já não sinto o inquietante
vazio;
Pelo amor, sinto o peso em
meus ombros
por todas as dores do mundo.
































