terça-feira, 18 de abril de 2017

Das dissipações


Embora renove-se o tempo
nada de novo acontece
quando se despe ao desprezo
e deita-se sobre a geleira
com a alma em névoa
n'absoluto silêncio...

Vidas se indispõem
e se avinagram,
moinhos se engrenam,
dias passam mudos
e sem movimentos...

entre tantos contratempos
folhas secam, caem
e solo envenena,
tormentas se instalam
e os ventos mudam de rumo...

e as águas em seu curso
e em redemoinhos
constantes movem o relógio...

e em meio aos imbróglios
o tempo segue seu rito,
cumpre o seu papel...

distâncias agiganta,
nutre a indiferença
a ira desbanca...

nenhum mal ou bem
nascem vitalícios...

Tudo qu'inda é novo
vira desperdício
e o que agora é velho
jaz no esquecimento...

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