segunda-feira, 17 de abril de 2017

Solitário voo


Buscando a ti
por entre os carpos,
voo nesse céu vasqueiro
sem armadura ou anteparo...

e afora insólita redoma,
a lhes invejar,
curvo-me aos pássaros em seus rituais,
sobre o azul oceânico
em livre acasalar...

Voo
num vai e vem, absorto,
olhos cerrados,
num arfante delirar...

de súbito,
despenco em mar fechado
sem onde mais navegar...

o espaço é delimitado...
o mundo seria outro
não fosse ampla a distância...

em riste e sem consonância
meu corpo procura o teu,
mas minh'alma não te alcança...

sozinho,
infatigável te busco
em meu louco imaginário...

por instantes,
com a cabeça que não pensa,
insanamente me farto
sem freios em meu instinto...

e morro
nesse desejo insaciável;
impressas às mãos calejadas,
cansadas,

saudades que de ti sinto...

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