segunda-feira, 17 de abril de 2017

Dos óxidos e imbróglios das impassíveis paixões




Arde em mim sempre esse fogo louco,
pois todo tempo que me oferte é sempre pouco,
porque minha alma de amar é sempre corpo,
sou de entregas, sem muros, culpa ou medo
de rédeas livres e de prazer sedento.

Nunca aprendi a inibir vontades;
não sou de por minhas emoções em freios
nem por controle em meus sentimentos...

Em tuas razões, o ignoto,
em meu peito um rio perene
que a esmo procura um mar,
mas se tal mar é semoto
o rio deságua em si mesmo.

Distâncias são adagas de dois gumes:
ou engrenam querer, saudades
ou desconstroem argumentos,
desvirtuam realidades
com as pedras nos pensamentos.

De sol a sol fome e sede,
penúria, desolamento;
são luas de sofrimento
sem atalhos ao destino-nada.

Não chorarei aos naufrágios
das barcas, ao caos, ancoradas,
de insepultos retirantes
nem ao medo, seu apanágio.

Rumarei para outro estágio
em minha escalada incansável...
O alvorecer é um presságio
que outrem fará em mim morada.

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