segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alma de vidro




Na lassidão da noite que se arrasta,
em suas horas cáusticas,
elásticas,
que se ancoram às negras nuvens,
grávidas de chuvas,
me trazem gatilhos à mente,
descargas de lembranças turvas,
ácidas,
visgos de tempos antigos,
de lumes que não tive...

Frágil e obscuro,
me tomo em redoma...
o tempo em mormaço veio pra tentar
trincar a minha alma de vidro...

Perdi-me...
daquilo que não foi feito,
tudo se perdeu...

Paisagem de triste plástica...
Pr'onde os ventos levaram o azul?...
E a lua em sua solidão?

No céu,
vestidas em seu véu escuro,
estrelas se escondem
mentindo que é o fim...

Risca no breu um corisco
só pro bradar do trovão
e as nuvens, em seu ventre aquoso,
preguiçosas choram...
e tudo em mim silencia.

Não sei o que mais virá ...
tudo anda igual como antes,
nesse marasmo não há pontes
pra que se alcance a luz...

Nada de novo há no front
nem mesmo um fio de horizonte
e no ontem, escuridão...

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